Na
etapa seguinte, vamos nos ocupar dos materiais que são empregados
para a execução do trabalho, pois tudo aquilo que o Oriente
produz se concentra na manufatura de tapetes. Eles cultivam algodão,
criam ovelhas, cabras, camelos; a seda, eles trazem há rnuito
tempo das províncias chinesas. Nos tempos passados, a qualidade
dos materiais empregados recebiam maior atenção.
O
acabamento das lãs de animais era perfeito, apesar de serem empregados
métodos primitivos, como a roca de mão do Egito; as tramas
feitas com linhas muito finas eram maraviihosas. A lã crua tosqueada
era trabalhada durante 8 a 14 meses. Eles seguiam dois caminhos importantes
para conseguir a garantia de qualidade dos materiais, e por conseguinte,
dos trabalhos. Primeiro tinham muito cuidado na escolha das fibras,
e em segundo lugar seguiam à risca uma lavagem profunda. Assim,
só usavam fibras legítimas completamente preparadas, evitando
as fibras estranhas e partículas de gordura penetrando na lã.
A gordura prejudica rnais tarde o tingimento das fibras. Tão
importante quanto o atado do trabalho é a origem da lã
para garantir a qualidade.
A
boa lã mostra sempre um típico brilho. É preciso
cuidado com o fio sem brilho; a lã de curtume é vista
como pouco resistente ao tempo; logo, nem sempre é bom empregar
lã curtida de animal. A lã é o melhor material
para atar tapetes, não importando se é proveniente de
ovelhas, cabras ou camelos; ela só é superada por raros
trabalhos de seda.
O
consumo de lã de cabra e de camelo são mais ou menos iguais.
Na execução da tipologia de alguns tapetes, o emprego
da lã de animais, juntamente com o algodão torna-se maravilhoso,
formando áreas rasas no trabalho.
Também
aparecem outras fibras de algumas plantas como: juta, cânhamo,
linho, que são bem menos usadas. Não queremos entrar nesse
assunto, porque aos poucos eles serão mencionados à medida
que forem aparecendo.
Depois
de preparada a matéria-prima, ela vai para o pátio de
manufatura. A matéria-prima bruta chega de preferência
da Ásia Menor; apesar de não ser de melhor qualidade,
é tida como tal, ganhando os direitos para a confecção
dos tapetes, de seda. A matéria-prima que chega de Tabriz, Kaschan,
Turquia e China, não tem garantia nenhuma. Para se selecionar
o material especializado, faz-se alguns testes simples: a prova por
meio do fogo, a prova da lupa e a prova de reação.
Para
fazer a prova do fogo, queima-se um fio do tapete. O cheiro das cinzas
resultantes do material será o ponto de referência para
nos certificarmos sobre a sua qualidade.
Pêlo
de animal: quando é queimado, se encrespa, não
deixa cinza nenhuma; exala um cheiro típico de cabelo queimado.
Algodão: quando queimado, produz chama pequena e clara e deixa uma cinza fina
e branca, exalando um cheiro típico de madeira queimada.
Linho,
cânhamo e juta: quando testados, não se comparam ao
algodão.
Seda,
lã: quando queimam, são semelhantes e deixam um carvão
que exala um cheiro característico de cabelo queimado.
Para
maior segurança, é aconselhável fazer também
a prova da lupa ou a chamada prova de reação; para estes
testes, precisamos de um microscópio.
O
resultado apresentará as seguintes figuras:
Lã
animal: para este material basta a prova do fogo. Sob um microscópio,
as fibras mais finas aparecerão apertadas e escamadas.
Algodão: suas fibras aparecem aumentadas, seus fios tomam forma de um saca-rolha.
Linho: seu fio fino aparece às vezes reto, e outras vezes apertado por
listras transversais.
Cânhamo: assemelha-se ao Linho, não havendo quase diferença entre
eles.
Juta: é semelhante ao cânhamo.
Seda: sob o microscópio, apresenta-se sem estrutura, com corte transversal
arredondado.
A
reação química é, portanto, necessária
somente para o linho, a juta e o cânhamo, que se apresentam com
formas semelhantes nas outras provas. Linho e cânhamo quase não
se diferenciam, produzem no teste de reação uma coloração
azul.
Juta
se tinge de vermelho na presença do ácido muriático.
Os testes que foram mencionados são simples, podem ser feitos
a qualquer tempo sem grandes problemas. Os tapetes que tiverem seus
materiais testados são sempre valorizados. |